Terça-feira foi dia de ver mais um filho ser jogado no mundo.
No Teatro Carlos Gomes, o Água de Moringa lançou seu último disco, Obrigado Joel, que eu gravei e mixei durante quase 5 anos.
A gravação do disco começou em 2005 (acho). Foi interrompida por minha viagem pra Aspen, retomada com minha volta, interrompida por compromissos individuais de cada um dos moringuetes, e sempre retomada novamente. O último gás ao disco foi dado pelo próprio Joel do Nascimento, quando perguntou se a ideia do disco era fazer uma homenagem póstuma a ele. Aí os moringuetes resolveram correr pra fechar últimos solos e me mandar mixar.
As pessoas estão me sacaneando porque eu disse que o show foi lindo e emocionante, mas tenho certeza que já tinha dito isso antes durante a mixagem desse disco (talvez não aqui porque acho que nem tinha um blog, mas com certeza disse isso pra eles do Água). As gravações do disco eram sempre divertidas... os moringuetes são seres muito doentes e loucos, que raramente conseguem falar sério, mesmo quando estão com problemas, como os arranjos do Jayme, pra resolver. As sessões eram sempre cheias de bobagens e risadas, e sempre aquela atenção ao som e à execução. Raramente sobrava tempo pra prestar atenção nas músicas.
A mixagem foi diferente. Mixei o disco sozinho no estúdio. Depois mandava o resultado final por email pra eles e eles comentavam o que podia melhorar ou piorar.
Mas sozinho no estúdio deu pra perceber detalhes dos arranjos e, mais importante, deu pra conhecer as composições do Joel.
O disco tem de tudo. Músicas animadas, músicas tristes, músicas saudosas, músicas lindas e músicas emocionantes.
Tinha momentos em que era difícil continuar trabalhando naquilo friamente. Pensando só em como fazer soar bem cada instrumento e cada detalhe.
No fim das contas, acho que fiz um bom trabalho e me orgulho dele.
E ontem foi o dia do lançamento do disco. Um show do Água de Moringa com participação de Joel Nascimento no Teatro Carlos Gomes.
Casa cheia... muitos amigos e conhecidos... e eu lá, tentando fazer ao vivo o que fiz em estúdio. Tentando fazer soar cada instrumento, cada detalhe de cada música. E tentando me manter trabalhando friamente naquilo. E de novo foi difícil.
No fim do dia, de novo acho que fiz um bom trabalho. Foi um show muito bonito e muito emocionante, e eu espero que muitos outros desse venham por aí, e que eu possa fazer cada um deles.
Parabéns ao Água pelo disco novo (quem quiser ouvir um pouco dele, pode ir no myspace dos moringuetes).
Parabéns ao Joel pela música dele.
E obrigado pela oportunidade
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quinta-feira, 20 de maio de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
o que significa a música (um pequeno e rápido pensamento)
Reparei isso há alguns dias atrás mas não dei muita importância. Hoje voltei a pensar no assunto. Alguma coisa mudou nas últimas semanas. Pra melhor, espero e imagino.
Não importava quanto tempo eu passava dentro do estúdio trabalhando com música. Não importava quantas horas eu passasse num ensaio de uma das minhas bandas. Não importava quantos shows eu fizesse, som ou tocando, no mesmo dia. No fim das contas, sempre que eu chegava em casa, uma das primeiras coisas que fazia era colocar música pra tocar no meu computador e fazer minhas coisas escutando algo.
Sempre foi assim... mesmo antes de eu trabalhar com música. Quando ainda estava no colégio... quando trabalhava com meu professor de literatura... quando não tinha emprego e simplesmente "estudava" música na Uni-Rio... e continuou assim desde que comecei a trabalhar na Tenda. Carlinhos sempre dizia que, depois de um dia de trabalho, a última coisa que ele queria era ouvir música. Ouvi isso de muita gente com quem trabalhei... E sempre entendi o raciocínio. Trabalhar em estúdio cansa muito os ouvidos e a cabeça. Tem gente que acha que é trabalho fácil... que o período é só de 6 horas e você fica sentado na frente de um computador. Mas, não sei explicar bem porque, é um trabalho muito cansativo. Especialmente pros ouvidos e pra cabeça. E depois de exaurir ouvidos e cabeça com música no trabalho, nada mais natural do que desejar o silêncio.
Mas não importava. Sempre chegava em casa e colocava música pra tocar enquanto eu fazia minhas coisas em casa.
O início desse ano veio com essa mudança que, a princípio, me passou despercebida. Quando eu notei o que estava acontecendo, fiquei um pouco assustado, mas não tinha o que fazer a respeito... eu simpesmente estava daquele jeito.
O ano começou e eu não tinha vontade de ouvir música. Não mudei muito a minha rotina de vida... continuava passando horas no computador, na internet. Resolvendo minhas coisas em casa. Mas desde o início do ano, sem música tocando ao fundo. E eu, sem vontade de ouvir nada.
Eu trabalhava... ouvia as música no estúdio e trabalhava nelas... ensaiava com minhas bandas e fazia shows, som ou tocando. Mas chegava em casa e não tinha vontade de ouvir mais música.
Notei, há um tempo atrás, que eu estava mais ligado à televisão, e ela estava ligada por muito mais tempo do que normalmente acontecia no meu quarto. E foi aí que me toquei da minha falta de vontade de ouvir música. Parei por um instante pra pensar no assunto... e percebi quando a falta de vontade começou. E pensei que talvez ela fosse reflexo de um trauma e de uma tristeza. E rapidamente resolvi parar de pensar nisso, pra não relembrar do trauma e da tristeza. Por isso fiquei só um pouco assustado com minha "desvontade" de música. Porque preferi não me concentrar nela. Afinal de contas, se fosse mesmo um reflexo do negativo então, quando o negativo fosse se dissipando, a desvontade também iria.
Faz três ou quatro dias que abri meu iTunes num ato quase que inconsciente e automático, e coloquei o disco novo do Água de Moringa pra tocar. O "Obrigado Joel" que eu gravei e mixei e gosto tanto. E ouvi ele inteiro... do início ao fim... seus quase 41 minutos de música. Porque me deu vontade.
E nos últimos dias, tenho escutado alguma coisa. Não tanto quanto ouvia antes... só o equivalente a um disco, talvez... Hoje, um pouco mais... já ouvi 2 discos e estou ouvindo o terceiro.
E quando parei pra pensar nisso... quando me toquei, dirigindo de volta pra casa, que eu já tinha escutado dois discos durante o dia, por vontade e não por trabalho, foi aí que concluí que sim... a desvontade é reflexo do negativo.
Não... o negativo, o trauma e a tristeza ainda não desapareceram. Mas estão indo... pelo menos eu acho. Assim como está indo a desvontade. Devagar, mas indo.
Engraçado perceber que a música tem esse vínculo tão forte com meu bem estar.
Um brinde (de Mate, claro) aos dias que virão, nos quais eu vou ouvir muita música, como costumava fazer há alguns meses atrás.
Não importava quanto tempo eu passava dentro do estúdio trabalhando com música. Não importava quantas horas eu passasse num ensaio de uma das minhas bandas. Não importava quantos shows eu fizesse, som ou tocando, no mesmo dia. No fim das contas, sempre que eu chegava em casa, uma das primeiras coisas que fazia era colocar música pra tocar no meu computador e fazer minhas coisas escutando algo.
Sempre foi assim... mesmo antes de eu trabalhar com música. Quando ainda estava no colégio... quando trabalhava com meu professor de literatura... quando não tinha emprego e simplesmente "estudava" música na Uni-Rio... e continuou assim desde que comecei a trabalhar na Tenda. Carlinhos sempre dizia que, depois de um dia de trabalho, a última coisa que ele queria era ouvir música. Ouvi isso de muita gente com quem trabalhei... E sempre entendi o raciocínio. Trabalhar em estúdio cansa muito os ouvidos e a cabeça. Tem gente que acha que é trabalho fácil... que o período é só de 6 horas e você fica sentado na frente de um computador. Mas, não sei explicar bem porque, é um trabalho muito cansativo. Especialmente pros ouvidos e pra cabeça. E depois de exaurir ouvidos e cabeça com música no trabalho, nada mais natural do que desejar o silêncio.
Mas não importava. Sempre chegava em casa e colocava música pra tocar enquanto eu fazia minhas coisas em casa.
O início desse ano veio com essa mudança que, a princípio, me passou despercebida. Quando eu notei o que estava acontecendo, fiquei um pouco assustado, mas não tinha o que fazer a respeito... eu simpesmente estava daquele jeito.
O ano começou e eu não tinha vontade de ouvir música. Não mudei muito a minha rotina de vida... continuava passando horas no computador, na internet. Resolvendo minhas coisas em casa. Mas desde o início do ano, sem música tocando ao fundo. E eu, sem vontade de ouvir nada.
Eu trabalhava... ouvia as música no estúdio e trabalhava nelas... ensaiava com minhas bandas e fazia shows, som ou tocando. Mas chegava em casa e não tinha vontade de ouvir mais música.
Notei, há um tempo atrás, que eu estava mais ligado à televisão, e ela estava ligada por muito mais tempo do que normalmente acontecia no meu quarto. E foi aí que me toquei da minha falta de vontade de ouvir música. Parei por um instante pra pensar no assunto... e percebi quando a falta de vontade começou. E pensei que talvez ela fosse reflexo de um trauma e de uma tristeza. E rapidamente resolvi parar de pensar nisso, pra não relembrar do trauma e da tristeza. Por isso fiquei só um pouco assustado com minha "desvontade" de música. Porque preferi não me concentrar nela. Afinal de contas, se fosse mesmo um reflexo do negativo então, quando o negativo fosse se dissipando, a desvontade também iria.
Faz três ou quatro dias que abri meu iTunes num ato quase que inconsciente e automático, e coloquei o disco novo do Água de Moringa pra tocar. O "Obrigado Joel" que eu gravei e mixei e gosto tanto. E ouvi ele inteiro... do início ao fim... seus quase 41 minutos de música. Porque me deu vontade.
E nos últimos dias, tenho escutado alguma coisa. Não tanto quanto ouvia antes... só o equivalente a um disco, talvez... Hoje, um pouco mais... já ouvi 2 discos e estou ouvindo o terceiro.
E quando parei pra pensar nisso... quando me toquei, dirigindo de volta pra casa, que eu já tinha escutado dois discos durante o dia, por vontade e não por trabalho, foi aí que concluí que sim... a desvontade é reflexo do negativo.
Não... o negativo, o trauma e a tristeza ainda não desapareceram. Mas estão indo... pelo menos eu acho. Assim como está indo a desvontade. Devagar, mas indo.
Engraçado perceber que a música tem esse vínculo tão forte com meu bem estar.
Um brinde (de Mate, claro) aos dias que virão, nos quais eu vou ouvir muita música, como costumava fazer há alguns meses atrás.
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