Reparei isso há alguns dias atrás mas não dei muita importância. Hoje voltei a pensar no assunto. Alguma coisa mudou nas últimas semanas. Pra melhor, espero e imagino.
Não importava quanto tempo eu passava dentro do estúdio trabalhando com música. Não importava quantas horas eu passasse num ensaio de uma das minhas bandas. Não importava quantos shows eu fizesse, som ou tocando, no mesmo dia. No fim das contas, sempre que eu chegava em casa, uma das primeiras coisas que fazia era colocar música pra tocar no meu computador e fazer minhas coisas escutando algo.
Sempre foi assim... mesmo antes de eu trabalhar com música. Quando ainda estava no colégio... quando trabalhava com meu professor de literatura... quando não tinha emprego e simplesmente "estudava" música na Uni-Rio... e continuou assim desde que comecei a trabalhar na Tenda. Carlinhos sempre dizia que, depois de um dia de trabalho, a última coisa que ele queria era ouvir música. Ouvi isso de muita gente com quem trabalhei... E sempre entendi o raciocínio. Trabalhar em estúdio cansa muito os ouvidos e a cabeça. Tem gente que acha que é trabalho fácil... que o período é só de 6 horas e você fica sentado na frente de um computador. Mas, não sei explicar bem porque, é um trabalho muito cansativo. Especialmente pros ouvidos e pra cabeça. E depois de exaurir ouvidos e cabeça com música no trabalho, nada mais natural do que desejar o silêncio.
Mas não importava. Sempre chegava em casa e colocava música pra tocar enquanto eu fazia minhas coisas em casa.
O início desse ano veio com essa mudança que, a princípio, me passou despercebida. Quando eu notei o que estava acontecendo, fiquei um pouco assustado, mas não tinha o que fazer a respeito... eu simpesmente estava daquele jeito.
O ano começou e eu não tinha vontade de ouvir música. Não mudei muito a minha rotina de vida... continuava passando horas no computador, na internet. Resolvendo minhas coisas em casa. Mas desde o início do ano, sem música tocando ao fundo. E eu, sem vontade de ouvir nada.
Eu trabalhava... ouvia as música no estúdio e trabalhava nelas... ensaiava com minhas bandas e fazia shows, som ou tocando. Mas chegava em casa e não tinha vontade de ouvir mais música.
Notei, há um tempo atrás, que eu estava mais ligado à televisão, e ela estava ligada por muito mais tempo do que normalmente acontecia no meu quarto. E foi aí que me toquei da minha falta de vontade de ouvir música. Parei por um instante pra pensar no assunto... e percebi quando a falta de vontade começou. E pensei que talvez ela fosse reflexo de um trauma e de uma tristeza. E rapidamente resolvi parar de pensar nisso, pra não relembrar do trauma e da tristeza. Por isso fiquei só um pouco assustado com minha "desvontade" de música. Porque preferi não me concentrar nela. Afinal de contas, se fosse mesmo um reflexo do negativo então, quando o negativo fosse se dissipando, a desvontade também iria.
Faz três ou quatro dias que abri meu iTunes num ato quase que inconsciente e automático, e coloquei o disco novo do Água de Moringa pra tocar. O "Obrigado Joel" que eu gravei e mixei e gosto tanto. E ouvi ele inteiro... do início ao fim... seus quase 41 minutos de música. Porque me deu vontade.
E nos últimos dias, tenho escutado alguma coisa. Não tanto quanto ouvia antes... só o equivalente a um disco, talvez... Hoje, um pouco mais... já ouvi 2 discos e estou ouvindo o terceiro.
E quando parei pra pensar nisso... quando me toquei, dirigindo de volta pra casa, que eu já tinha escutado dois discos durante o dia, por vontade e não por trabalho, foi aí que concluí que sim... a desvontade é reflexo do negativo.
Não... o negativo, o trauma e a tristeza ainda não desapareceram. Mas estão indo... pelo menos eu acho. Assim como está indo a desvontade. Devagar, mas indo.
Engraçado perceber que a música tem esse vínculo tão forte com meu bem estar.
Um brinde (de Mate, claro) aos dias que virão, nos quais eu vou ouvir muita música, como costumava fazer há alguns meses atrás.